O prazo já expirou. E agora a pressão aumentou significativamente.
Segundo informações que parceiros locais da Portas Abertas obtiveram, aqueles que se recusaram a negar a fé em Jesus Cristo sofrem ameaças concretas: perda de meios de subsistência, restrição de acesso à floresta, impedimento de reuniões em igrejas e risco de demolição dos templos.
A estratégia de pressão: do ultimato à ação
O “Ghar Wapsi” – que significa “volta ao lar” – é apresentado como um retorno às tradições ancestrais. No entanto, na prática, esta ferramenta força a reconversão religiosa. Durante o período do ultimato, conselhos locais mencionaram nomes de pastores e igrejas, e autoridades reforçaram medidas rigorosas contra esses líderes.
Após o fim do prazo, as reuniões dos conselhos de aldeia aumentaram em Narayanpur e Bastar. O foco agora é claro: como tratar os cristãos que se recusaram a se reconverter.
Nesses encontros, os conselhos pressionam os seguidores de Jesus a comparecer aos rituais e os alertam: se não obedecerem, podem perder seus meios de subsistência e até o direito de permanecer na comunidade.
Ameaça econômica: o controle da floresta e da renda
O controle dos recursos naturais se tornou uma das formas mais eficazes de coerção em comunidades rurais na Índia. E é exatamente isso que acontece agora.
Os conselhos de aldeia passaram a restringir o acesso dos cristãos ao trabalho com folhas de tendu – uma árvore nativa cujas folhas a comunidade coleta e comercializa como importante fonte de renda em Chhattisgarh. O governo realiza a coleta e paga os trabalhadores. Esta atividade sustenta muitas famílias diariamente.
Além disso, os conselhos impedem os cristãos de recolher madeira das florestas – material essencial para cozinhar e para construir suas casas.
“Sem acesso às folhas de tendu e à madeira, muitas famílias vivem sob pressão constante, ouvindo ameaças para que se reconvertam ou deixem o vilarejo.”
Essas sanções colocam os cristãos em situação de extrema vulnerabilidade. Em comunidades onde a vida gira em torno da terra e da floresta, perder o direito de trabalhar ou de coletar recursos básicos significa perder a própria capacidade de sobreviver no local.
Igrejas e pastores sob ameaça direta
A pressão não se limita à economia. Relatos indicam que, nas reuniões dos conselhos, eles defenderam a demolição de igrejas em Narayanpur e Bastar onde há presença cristã.
Para os fiéis, esses templos representam muito mais que construções. Eles servem como locais de encontro, oração, encorajamento e fortalecimento espiritual. A possibilidade de perdê-los gera medo de que a igreja precise se esconder ainda mais, voltando a se reunir em segredo – algo que já ocorre em outras regiões de perseguição intensa.
Um parceiro local da Portas Abertas, que chamaremos de Dhruv Baiga por segurança, afirma que desde fevereiro de 2026 pastores não podem entrar em muitas aldeias por decisão de conselhos locais e líderes religiosos.
Com as restrições mais recentes, cristãos de origem tradicional que vivem nessas áreas perderam sua fonte de subsistência e o contato regular com pastores. Isso torna a caminhada de fé ainda mais desafiadora.
A Lei de Liberdade Religiosa como obstáculo à justiça
Diante de tanta pressão, muitos se perguntam: por que os cristãos não registram queixa oficial?
A resposta está, em parte, na nova Lei de Liberdade Religiosa de Chhattisgarh. Grupos cristãos e outras minorias contestaram a legislação no Tribunal Superior, apontando o risco de que o governo a use para limitar a liberdade de mudar de fé.
Até agora, porém, não há atualizações sobre o resultado desses questionamentos. Isso faz com que muitos cristãos se sintam desprotegidos diante das decisões dos conselhos de aldeia.
No momento, pastores e cristãos oram e aguardam o momento certo para registrar uma queixa oficial contra o ultimato e as medidas que os conselhos tomaram. No entanto, a lei local dificulta que os fiéis, especialmente os de origem tradicional, recorram à polícia.
Cristãos resistem, mas precisam de oração
Mesmo sob forte pressão social, econômica e religiosa, muitos cristãos em Narayanpur e Bastar decidiram permanecer firmes em sua fé em Jesus. Eles sabem que esta escolha pode significar perda de renda, acesso limitado a recursos básicos e ameaças constantes.
Mas eles entendem que não podem voltar atrás na decisão de seguir a Cristo.
“Aquele que ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.” (Mateus 10:37)
O cenário, porém, permanece delicado e incerto. Com restrições ao trabalho, à floresta, aos templos e à presença de pastores, esses irmãos e irmãs enfrentam um futuro cada vez mais inseguro.
O que podemos fazer? Ore e compartilhe
Diante desse cenário, a igreja ao redor do mundo precisa perseverar em oração por justiça, sustento e coragem para que esses cristãos permaneçam firmes, mesmo em meio à tempestade.
Pedidos de oração
- Pelos cristãos de origem tradicional em Bastar e Narayanpur, para que permaneçam firmes na fé em Jesus. Peça que o Senhor lhes conceda justiça e coragem para atravessar esse tempo de intensa pressão.
- Pela provisão de Deus sobre esses cristãos. Eles enfrentam pressão e perda de acesso a recursos básicos. Ore para que não lhes falte o sustento diário nem aquilo que precisam para viver com dignidade.
- Por aqueles que perseguem, para que a graça de Deus os alcance e transforme seus corações. Lembre-se da oração de Estêvão: “Senhor, não lhes imputes este pecado” (Atos 7:60).
Conclusão
A situação dos cristãos nos distritos de Narayanpur e Bastar, na Índia, é grave. O ultimato para negar a fé já passou, e a pressão só aumentou. Perda de renda, restrição de acesso à floresta, ameaça de demolição de igrejas e impedimento da visita de pastores são as novas realidades que esses irmãos enfrentam.
Mas eles não estão sozinhos. A igreja perseguida faz parte do corpo de Cristo, e quando um membro sofre, todos sofrem juntos (1 Coríntios 12:26).
Que possamos, de fato, orar sem cessar e levantar a voz em favor daqueles que pagam o preço por seguir a Jesus na Índia de hoje.






